Páginas

sábado, 29 de novembro de 2014

Transporte noturno, uma crônica do que poderá ser um sistema exemplar

Já não é de hoje que escutamos que São Paulo, é a cidade que “ nunca para “. Olhando pela ótica do transporte e mobilidade, não diria que ela nunca para e sim que “ quase para “. 

Durante o horário convencional de operação, geralmente entre as 05h da manhã e meia-noite, operam em São Paulo aproximadamente 1.288 linhas, incluindo atendimentos, atendendo em também números aproximados, 2 bilhões e 941 milhões de usuários.

Já durante a madrugada, no período compreendido entre meia-noite e as 4h da manhã, são apenas 98 linhas ( 1.190 a menos do que durante o dia ), muitas delas, para não dizer todas, operando com intervalos superiores a uma hora e sem uma quantidade satisfatória de conexões de umas com as outras.
A população que porventura necessita desse tipo de transporte, se desdobra para conseguir utiliza-lo ou opta por esperar o Metrô abrir as 4h40 da manhã.
Com o crescente movimento de protestos que clamam por um transporte público de melhor qualidade, surgiu-se a ideia de fazer então, visando resolver os problemas do transporte público noturno,  fazer o Metrô, funcionar 24 horas.

Já é sabido, tanto por estudiosos do tema e também pelos populares, que é tecnicamente inviável tal ação, já que em um período curto de apenas 3 horas, a Companhia do Metropolitano dedica para realizar manutenção em seus túneis e vias, além de treinamentos para seu pessoal utilizando-se dessas estruturas.

Dada essa impossibilidade, vista muitas vezes como má vontade e embora não seja, a SPTrans lançou um plano de estruturar toda a rede de transporte noturno por ônibus, visando atender inclusive, o trajeto do Metrô.
Como o sistema será concebido praticamente do zero, o transporte  noturno será estruturado perto do que seria ideal, do ponto de vista técnico, até para as operações diurnas.

Divididos os itinerários e considerando já os existentes que passarão por revisão, serão segundo estimativa, o total de 140 linhas de ônibus e aproximadamente  430 veículos entre ônibus e micro-ônibus para atender a cidade.
Utilizando o conceito de linhas troncos e alimentadoras, as linhas circularão entre a 0h00 e 04h00 da manhã, onde as alimentadoras operarão provavelmente, com operação por parte das cooperativas nos bairros e as troncos, pelas empresas, ligando o centro e as estações de Metrô,  aos terminais.
Segundo informações não-oficiais e preliminares, as primeiras linhas propostas são:

-  Barra-Funda, Itaquera e o Centro ( seguindo a linha 3 do Metrô )
-  Jabaquara, centro e Tucuruvi ( seguindo a linha 1 )
- Centro, Ana Rosa e Vila Prudente ( seguindo parte da linha 2 )
E outras linhas que serão destinadas a atender bairros que possuam grandes atividades noturnas, como Vila Madalena, Paulista ( Jardins ) e Pinheiros.
A estimativa é que a utilização dessas linhas se eleve em relação ao panorama atual. Para contribuir, a SPTrans irá remunerar as empresas operadoras por partida e não por passageiro, para ser também, um atrativo aos operadores.


Rodrigo Lopes – Técnico em Logística.

Nenhum comentário:

Postar um comentário